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Xica Margarida

16.11.19

Os walkers dos hipermercados

Xica Margarida

Essa raça de pessoas que se passeia pelos hipermercados desta vida sem nada que fazer. Eles chegam aos hipermercados logo à hora de abertura. Porque? Não têm razão específica. Apenas não têm nada que fazer em casa ou preferem ir para os hipermercados chatear quem lá trabalha. Eles entram nos hipermercados de mãos nos bolsos e saem de mãos nos bolsos. De vez em quando lá fazem umas festas a dois ou três produtos que voltam a colocar nas prateleiras, mas raramente compram. E quando compram é o vinho para fazer a calda.

Eles mexem nos produtos (fazem as tais festas) mas não compram. Eles mudam o produto de sítio mas não querem saber. Eles passeiam-se pelos hipermercados porque podem. Porque em casa está frio, porque não há mais nada que fazer ou simplesmente para chatearem as pessoas. Eles são os walkers dos hipermercados.

Na série "Walking Dead" os walkers andam devagar sem destino e apenas com o propósito de se alimentarem. Os walkers dos hipermercados não têm propósito. Apenas andam sem destino por entre as prateleiras de fraldas para bébé ou pelos corredores de batatas fritas. Eles afagam o arroz, o azeite e a massa. Mas acabam sempre por não comprar nada. 

Eles vão almoçar a casa mas voltam da parte de tarde para mais uma caminhada. Algumas vezes interagem com os funcionários dos hipermercados. Outras vezes apenas caminham perdidos sem destino por entre as prateleiras de produtos de higiene ou pelo meio da peixaria a admirar o peixe quase fresco.

Eles caminham pelos hipermercados ao ritmo que a vida deles lhes permite. Ou seja, devagar. Os walkers dos hipermercados podem ser qualquer pessoa. Eles apenas querem passar tempo.

 

O texto poderia ser mais profundo mas deixo à consideração dos meus (agora seis) leitores assíduos tirarem conclusões.

12.11.19

Ciúmes do computador

Xica Margarida

O James tem ciúmes do computador. Está comprovado com várias experiências cientifícas.

Ele pode estar deitado onde quer que seja mas assim que eu pego no computador e o coloco no colo para escrever lá vem o James pedir colo. E se demoro muito ele deita-se em cima do computador. É como se tivesse a reivindicar um lugar que é dele e de mais ninguém. 

Neste momento o James está distraído com um brinquedo e, por isso, consigo estar com o computador no colo a escrever este post. Mas assim que ele se aperceber vou ter que escrever de lado. Pois o colo é dele. 

Cá está a prova!

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Malucos é o que é. Ele e eu.

08.11.19

Conversa de futebolista

Xica Margarida

Cá por casa ouve-se e vê-se muitas vezes futebol. Não é que eu queira mas como partilho a televisão com o homem tenho que aceder de vez em quando a alguns programas futebolísticos. O problema é que mal as pessoas começam a falar dizem sempre a mesma coisa. E eu pergunto: porque é que se continua a fazer entrevistas a jogadores de futebol? Já se sabe que o resultado é sempre o mesmo. 

Atentem!

Começamos pelos tiques: todos, mas todos coçam a orelha, o nariz, o pescoço ou o queixo quando falam. É no preciso momento em que começam a falar que começam a ter comichão. O que vale é só nestas partes do corpo. Se bem que, como as entrevistas geralmente só mostram a cara, eles bem que podem estar a coçar outras coisas e nós em casa não conseguimos ver. Mas pronto, primeiro tique: coçar alguma parte do corpo.

Depois todos olham para o horizonte em vez de olharem para o entrevistador. O olhar o horizonte tem alguma de intelectual, devem pensar eles. Assim, talvez o que vamos dizer faça mais algum sentido. Segundo tique: olhar o horizonte.

Finalmente, o cabelo. Essa grande montra dos jogadores de futebol. As horas passadas nos cabeleireiros da vida para terem aqueles cinco minutos de entrevista. Sem bem que agora também já há todo um arsenal para as sobrancelhas. Mas voltando ao cabelo: há os que o usam impecavelmente penteado com gel e os que preferem afagá-lo a cada duas palavras que dizem. Dizia eu que eles passavam horas nos cabeleireiros da vida, nada disso, os cabeleireiros da vida é que passam horas em casa deles porque estes meninos não põem os pés num salão. Não vá aparecer um fã com vontade de o abraçar. Terceiro tique: cabelo.

Depois dos tiques vamos aos discursos: invariavelmente dizem sempre o mesmo. Quer ganhem quer percam. Eles são ensinados na academia a dizer umas cinco frases e pronto. Depois disso dizem-lhes: vai para frente das câmaras que já te safas. Então é assim: o jogo foi muito difícil, o adversário estava bem organizado, fizemos tudo ao nosso alcance para a vitória, sabiamos que iamos encontrar dificuldades...

Ou seja, falam sem dizer nada. Sem esquecer que enquanto dizem isto coçam alguma parte do corpo, olha o horizonte e afagam o cabelo. Portanto, não podemos pedir mais. Certo?

05.11.19

Finalmente consegui andar mais de dois meses sem me preocupar com o cão

Xica Margarida

james olho novo.JPG

 

Depois de muito tempo a ser tratado por causa do olho e, como vocês (meus seis leitores assíduos) sabem, o James foi operado e tem um olho novo. Passou de Frankenstein para um novo James. Revigorado e com uma marca no olho. 

Para nós é só o James a que estamos habituados.

Hoje celebra o seu quinto aniversário. Depois de muitos problemas e de muita medicação sinto que tenho agora verdadeiramente um cão maluco e alegre. Ele sempre foi excelente mas nunca consegui desfrutar verdadeiramente. Havia sempre o medo de ele se partir a qualquer momento. A sua saúde frágil levava-nos a cuidados, por vezes, até exagerados. Mas só queríamos e queremos o melhor para ele. Ainda assim, parece-me que agora está melhor do que nunca. Conseguimos que deixasse muita da medicação que andava a fazer e isso trouxe-lhe muita qualidade de vida. Está mais ativo, mais brincalhão, com mais energia. Está um verdadeiro cão maluco.

Ele está comigo desde os dois meses e aos seis descobrimos que tinha uma doença genética. Comum na raça, mas que o iria acompanhar para toda a vida. A partir daí foi fazer tratamentos, pensar sempre na melhor forma de ele não ter dores e querer o melhor conforto para ele. Mas a certa altura os medicamentos já estavam a deixá-lo cada vez mais debilitado. Agora que está habituado à dor conseguimos tirar muita medicação, o que o torna mais ativo e melhor a sua saúde geral.

O olho dele, remendado, está excelente. Nunca mais teve problemas. Ou seja, temos aqui uma Fénix renascida das cinzas. Finalmente tenho um cão mais saudável.

 

31.10.19

O desuso da pulseira do exercício

Xica Margarida

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Sim, comprei uma pulseira para medir o exercício entre outras coisas. A coisa veio dos chineses mas funciona. Mas não funciona tanto como deveria. A culpa não é do objeto. É minha! Eu tenho-a e não a uso. 

Desde que me propus a perder 20 quilos até aos meus 40 que pensei em investir em várias coisas deste género. No entanto, este investimento (muito baixo, diga-se) ainda não teve retorno. Continua a dar pouco uso a este tipo de coisas que tem a ver com desporto. 

Ah e sim, também me inscrevi no ginásio. Mas também lhe dou pouco uso.

Será que vou conseguir mudar este estado de coisas? Afinal de contas já tenho menos de um ano para o meu objetivo. 

25.10.19

O mercado de sábado de manhã

Xica Margarida

mercado ao sabado.JPG

Ir ao mercado ao sábado de manhã tornou-se um hábito. A metodologia implica muitos sacos e uma manhã inteira passada entre legumes, fruta e peixe. No final o resultado é quase sempre um mix de cores e sabores sempre muito bons.

Fruta e legumes do campo. Ovos das galinhas criadas à moda antiga e peixe do mar mesmo. Não há cá peixe de viveiro.

O início é sempre na banca do peixe onde se encomendam os peixes que servem para várias refeições ao longo da semana.

Depois seguimos para os legumos onde encontramos o Sr. Silvino sempre de bloco na mão e pronto a somar as parcelas de preços que a esposa vai debitando quase sem olhar para a balança. Leve mais um e faz 1€, diz ela. E claro, nós lá trazemos. As contas são quase sempre feitas assim. Ela é que sabe os preços todos. Ele aponta e faz a conta no fim. Os legumes são da horta deles. 

Não há courgete? Não, elas agora deixam de dar. E quando não há na terra deles nós não temos. Ali só o que a terra dá e quando ela quer dar. Deixamos os sacos cheios na banca do Sr. Silvino e da esposa e vamos para a fruta.

Naquela banca não que foi onde nos venderam o mau melão. Vamos à miúda que está sempre sozinha e com um sorriso nos lábios. A rapariga deve ter cerca de 18 a 20 anos. Sempre sozinha na banca. Mas sempre a sorrir. Diz: estas laranjas são boas, já provei. Já repararam no novo mural que temos no mercado? Ela vende a fruta mas acorda-nos para a vida. Já sabe que não queremos sacos plásticos e adora que assim seja.

Depois vamos aos tomates pequeninos. Leve mais um por não querer saco, dizem elas. As cores são fantásticas e a ligação de poucos minutos com cada vendedor é especial. Estamos lá todas as semanas e eles também. Levamos o que eles têm e com isso fazemos muitas maravilhas em casa. O sabor é diferente. Sabe-se logo que veio mesmo da terra e não de uma qualquer estufa.  

O passeio de sábado de manhã dá anos de vida e dá uma sopa deliciosa. 

22.10.19

As tabelas de excel da vida

Xica Margarida

agenda semanal.png

Tenho colegas de trabalho que têm mapas de excel para várias coisas. Principalmente despesas. Mas o excel serve para tudo. Organização é a principal palavra. Mapas de excel para as despesas de casamento, mapas de excel para as despesas com a mota, mapas de excel para as despesas com o futuro filho. Adoro este tipo de organização e controlo. Saber sempre o que se gasta e com o quê. Eu nunca sei para onde desaparece a maior parte do dinheiro. Ou melhor, sei. Como-o! Mas especificamente em quê. É difícil perceber.

Oh pá, e eu admiro esta organização. Gostava de conseguir ser metade assim. Já tentei fazer ementas para a semana e realmente descobri que é mais fácil gerir a comida que temos e isso também ajuda a prevenir gastos desnecessários. E é muito mais fácil para não perder tempo. Tira-se logo no início do dia do congelador o que se vai cozinhar à noite. Simples. Pois, seria. Se eu seguisse as ementas.

A última tentativa que fiz nesta coisa da organização foi ter uma aplicação para registar os gastos diários. Ao fim do mês consegue-se ter noção onde se pode poupar. Mas e registar? Ah e tal porque foi um café, ou porque fui à padaria e gastei 4,57€ e não registei. Quando vou a ver já foram não sei quantas transações sem registo. Depois perde-se o fio à meada que é como quem diz: perde-se o rasto ao dinheiro. E digo assim: para o mês que vem é que vai ser. 

Eu acho que isto é assim: ou se é organizado ou não. Eu até sou mas é só de vez em quando e para o que quero. Ou seja, não sou. Sou muito metódica mas é para determinadas tarefas, não o consigo ser sempre. E é difícil incutir este novo estilo de vida como é difícil mudar hábitos alimentares ou incutir a disciplina do exercício regular.

Mas ainda não perdi a esperança e, de certeza, que não irei conseguir ter mapas de excel para várias partes da vida, nem fazer álbuns do ano com fotos de eventos do ano, mas a introdução de melhorias tem que ser uma realidade. O planeamento tem que começar a ser mais rigoroso e cumprido. 

Este foi um ano de mudança e, por isso, acredito que também neste sentido vou conseguir melhorar.

Excel, estou contigo!

19.10.19

James Frankenstein

Xica Margarida

James franskeinstein.JPG

Depois de ter sido operado ao olho, o James ficou assim com um novo nome: James Frankenstein. O médico basicamente fez um enxerto no olho para tapar um buraco grande que lá estava. Por precaução o bicho continuou a andar com o temível cone, mas na esperança de o largar em breve. 

Dias difíceis para James Frankenstein mas bem melhores do que os que estavam para trás. Zero dores e desconforto e um caminho de melhorias em vista. Com pouca vista, é certo. Mas vai vale com pouca do que com nenhuma.

14.10.19

O salto nem sempre bem sucedido

Xica Margarida

Já vi e li muitas reportagens sobre o tema "Mudar de vida". Quase todas elas inspiradoras e com grandes histórias por trás. Mas fiquei sempre com um sentimento de que as pessoas retratadas são pessoas corajosas, sim, mas também são pessoas que mudam porque têm um bom apoio familiar, ou porque construíram já uma base de vida que lhes permita atirar-se para o desconhecido.

Viver a história do "Mudar de vida" na primeira pessoa já me aconteceu várias vezes. Lembro-me perfeitamente da primeira vez que decidi mudar de vida. Ía na A23 a caminho do Fundão a um dia 1 de Janeiro (não me recordo do ano mas deverá ter sido lá para 2003 ou 2004). Ouvia na rádia a música "Mudar de vida" cantada pela Manuela Azevedo (sim eu sei, um cliché, mas foi mesmo verdade). 

Já tinha ouvido a música tantas vezes mas nunca como naquele dia o sentimento me encheu tanto. Eu ia trabalhar. Como tantas outras pessoas que trabalham em dias especiais eu ía a caminho do trabalho. Mas não ia satisfeita nem com vontade de o fazer. Ía contrariada. Ía mais uma vez porque tinha que ser. E nesse momento pensei: mas porque tenho que continuar a fazer isto se não me faz feliz. Está na altura de mudar. 

Aquele sentimento foi crescendo dentro de mim. A decisão de mudar foi imediata mas era preciso consolidá-la, era preciso construir o caminho. A impaciência impediu-me de construir um plano e executá-lo. Em pouco tempo despedia-me do emprego que me fazia mal e ficava sem fonte de rendimento. Restava-me aquilo que sempre me restou: o apoio da minha família. 

Pode dizer-se que arrisquei. Sim, mas se não fosse naquela altura ía ser quando? Era nova, não tinha grandes responsabilidades, podia sempre dar um passo atrás na vida. E dei. Comecei tudo de novo. Mas comecei tantas vezes depois disso que se foi tornando hábito. 

Nem todos os episódios do "Mudar de vida" são bem sucedidos. Os que são contados geralmente têm um final feliz. Mas e aqueles em que os protagonistas saltam e não têm rede? E aqueles em que depois do salto é preciso correr muito? E aqueles que saltam muitas vezes até acertarem na altura?

Dessa primeira vez saltei sem rede. Só mesmo com o carinho de quem sempre me segue. Saltei e continuei a saltar tantas vezes depois porque a vida não me dava oportunidade de construir algo forte. 

Olhando para trás não me arrependo. Fico feliz de o ter feito e da altura certa em que o fiz. A partir do momento em que saí daquele emprego fui muito melhor como pessoa. E esse é sempre um bom motivo para mudar. Na realidade o grande motivo deve ser sempre este: mudar como pessoa. Ficar cada vez melhor. Acho que dessa vez consegui e fui conseguindo sempre. 

Euzinha

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